quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Retorno ao Olimpo

Éramos pretensiosos. Nos sentíamos deuses, encastelávamos em nosso olimpo e nos dedicávamos a destilar nosso fino veneno aos reles mortais. Construímos, nós mesmos, uma idealização. Trocávamos elogios e afagos, salientávamos nosso amor dito incondicional e perpétuo. Somos deuses, per si, eternos.
Como pronunciado pelos corvos alvos, descemos ao mundo, nos tornamos mundanos. Descobrimos que somos falíveis, trouxemos ao olimpo a mentira, a paixão, traição, o rancor e o arrependimento. Nos fracionamos, abandonamos o olimpo, destilamos veneno àqueles que destilaram veneno conosco aos reles mortais.
Não me entendam como Nostradamus que está aqui a vaticinar o fim dos tempos, o fim da era dos deuses. Quero, muito pelo contrário, incentivar o retorno, a aceitação mútua de que somos falíveis, humanos, mundanos. Descemos do olimpo, encerramos a belle époque é verdade, mas em momento algum o sentimento que nos eternizou morreu. O amor - o verdadeiro, o saudável, por favor - não morre, se reinventa.
Eu quero me reinventar com vocês.