quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Retorno ao Olimpo

Éramos pretensiosos. Nos sentíamos deuses, encastelávamos em nosso olimpo e nos dedicávamos a destilar nosso fino veneno aos reles mortais. Construímos, nós mesmos, uma idealização. Trocávamos elogios e afagos, salientávamos nosso amor dito incondicional e perpétuo. Somos deuses, per si, eternos.
Como pronunciado pelos corvos alvos, descemos ao mundo, nos tornamos mundanos. Descobrimos que somos falíveis, trouxemos ao olimpo a mentira, a paixão, traição, o rancor e o arrependimento. Nos fracionamos, abandonamos o olimpo, destilamos veneno àqueles que destilaram veneno conosco aos reles mortais.
Não me entendam como Nostradamus que está aqui a vaticinar o fim dos tempos, o fim da era dos deuses. Quero, muito pelo contrário, incentivar o retorno, a aceitação mútua de que somos falíveis, humanos, mundanos. Descemos do olimpo, encerramos a belle époque é verdade, mas em momento algum o sentimento que nos eternizou morreu. O amor - o verdadeiro, o saudável, por favor - não morre, se reinventa.
Eu quero me reinventar com vocês.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ao arrepio do toque

Escrevo com as mãos de quem sonha.

Olhos fixos na brancura do papel
me remetem imediatamente à alvidez de sua pele.
Corpo esguio, lindo, de uma mulher sem exageros.
me deparo com seus olhos - de cores ao sabor das emoções.
ingênuo aquele que se limita às cores físicas. Seus olhos são quadros, quadros de arte.
Arte não se expressa. Se tenta atingir. Olhos de Monet.

Desço as pontas de meus dedos aos seus lábios - abertos em verdades, sorrisos.
Sorrio ao vê-la sorrir.

Toco seu corpo em carícias - expressões gestuais de admiração limitadas em ação. Espero que essas letras toquem você.

Deparo meus lábios em seu pescoço, confusão de sensações. O delicioso cheiro de sua pele me toca, perfume. Perfume de mulher.

Subo meus lábios aos seus ...
As palavras dos homens acabam, as sensações apenas começam.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Família

Estava refletindo, desde a minha aula de instituições de direito romano, sobre o papel contemporâneo da família. A perda do status de uma instituição mimética da organicidade do Estado- representada pelo pater familis- para a valoração da família como um instrumento, um meio, da felicidade, ou melhor, para a promoção da dignidade humana.Esse novo papel traz um rico debate sobre o conflito entre a "autonomia vs libertinagem."
Todos que me conhecem sabem o respeito que tenho pela minha família e pela sua marca imediata em mim- o meu sobrenome. Tenho inclusive um certo ressentimento de não ter nascido na época da república velha em que o meu sobrenome combinaria perfeitamente com o cargo de presidente. Presidente Pereira Perez. O que acha leitor?
Voltando a questão, para exercermos a nossa autonomia devemos gozar de liberdade. Mas só se exerce liberdade com o mínimo de responsabilidade moral que é passada pela família e complementada pelo contexto de mundo em que vivemos. Tenho o prazer de conviver com a minha família e me enriquecer com a sua história: seu passado que aprendo com meus pais e avós; seu presente que construo e seu futuro que me sinto sendo preparado para o papel de protagonista.
A relação entre autonomia e libertinagem se esvai para dar início a uma relação de continuidade e transformações que só a maturidade construída em um meio permeável entre você e a sua família pode construir. O exemplo da mudança se reflete no uso de pronomes retos: O "eu" e o "eles" transformam-se em "nós".
Tudo isso, leitor, é para te chamar a refletir sobre quem você é. A qual pedaço de mundo você pertence? A qual você quer pertencer?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Roberto Perez

A convite do meu querido amigo e futuro Ministro do STF, Roberto P. Perez, terei o prazer de participar deste blog, expondo aqui algumas reflexões. Minha primeira - e talvez mais difícil – tarefa será apresentar em meros caracteres um Roberto que eu tive a sorte de encontrar em uma sala de aula e de trazer para a minha vida. Quero antes informá-lo, Leitor, que este texto tornou-se um imenso desafio, pois será impossível igualá-lo àquele escrito pelo meu companheiro de blog, cujo intelecto superior é capaz de produzir verdadeiras obras literárias.

Para começar, preciso dizer que o Roberto se encaixa na categoria de Pessoa Única, daquelas que basta conhecer um pouco mais para ter certeza de que ela lhe acrescentará muitas coisas. Essas pessoas são verdadeiras relíquias e tem participação especial na construção da nossa historia. Parabéns, Roberto Perez, você é uma delas. Sinta-se honrado, pois os meus filhos vão ouvir falar de você. Saiba que não é nada fácil atingir a pontuação máxima na Escala Bia de Relacionamentos, ainda que a sua obtusidade o faça perder pontos frequentemente.

Meus filhos saberão também que na realidade existem dois Robertos totalmente diferentes, permanecendo em constante batalha para atingir o equilíbrio. O primeiro é carinhosamente chamado de obtuso, que aqui não quer dizer ignorância, mas sim insensibilidade com uma pitada de humor negro. Esse Roberto é fácil de gostar, mas difícil de conviver e impossível de discutir. Já o segundo, é dono de uma sensibilidade notável, a qual está presente nos textos maravilhosos que ele escreve. Esse costuma ser carinhoso e odeia jogos de mímica. Acima de tudo, gosta de preservar as poucas e boas amizades. Ainda que eu goste mais do segundo, tenho que admitir que o primeiro me diverte com seus comentários cheios de veneno.

Espero que com este blog você, leitor, consiga perceber e admirar toda a complexidade do meu amigo Roberto Perez e que possa gostar tanto dele como eu gosto.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Beatriz Martinez

É difícil a missão a qual me proponho. Apresentar a vocês a minha colega de blog, Beatriz Martinez. Usarei de uma metodologia mais simples do que aqueles que se esvaem em lugares comuns e clichês ao falar de amigos. A bia - acho que vocês, leitores, podem chamá-la assim- é a pessoa que de modo mais natural desperta em todos aquilo de mais sincero e menos egoísta que existe em cada um, o sorriso. Não falo isso pensando no senso de humor dela, falo isso pensando na bia- a menina que do modo mais meigo, ou melhor, mais elegante desperta um sorriso, às vezes, involuntário daqueles que tem o prazer de conviver com ela.
Refiro-me a bia como menina e tenho certeza que me utilizo do substantivo certo. A menina é pura, sincera, feliz e moleca. Ser menina hoje em dia é uma qualidade e um privilégio para aqueles que estão com ela.
Aqueles mais habituados ao mundo jurídico podem perceber a Bia como uma jovem Flávia Piovesan: uma pessoa convicta dos seus valores morais e irredutível sobre eles. Inclusive ela nem mesmo sabe, mas nasceu para ser advogada. Hoje, sem os conhecimentos jurídicos necessários, ela já advoga por seus 'clientes' - seus amigos - naquilo que tange aos seus interesses. Escuta, discute, orienta esperando em troca apenas a sua felicidade. Eu tenho o prazer de ser um de seus mais novos clientes e digo que, no tange à essa advocacia, nunca tive uma mais competente.
Aqueles mais habituados à literatura podem vê-la com uma pitada de Cecília Meireles: A extração da essência posta sob um olhar de menina, mas com  a construção que só uma mulher pode dar às palavras. E eu espero exatamente isso: uma análise do cotidiano que nós, imersos em egoísmo, não conseguimos dar.
Podem ter certeza, leitores, que a bia é muito mais complexa do que isso supra exposto e, por isso convido-os a segui-la nessa empreitada.
Seja bem vinda, Beatriz Martinez